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Está alinhado na pista e pronto a descolar. Uma vista rápida da manga de vento diz de onde o vento vem, certo? Errado! Acredite ou não, a manga de vento pode-nos esconder surpresas súbitas e desagradaveis imediatamente após a descolagem.
Como se pode ver na próxima ilustração, o vento pode não ser laminar. Pode não estar a sofrer interferência de edifícios ou arvoredo, que o irão afectar enquanto descola/aterra.
Enquanto que a manga de vento pode estar a mostrar um vento cruzado da direita, podemos deparar com ventos cruzados da esquerda ou mesmo cizalhamento do vento ( "windshear" ) pouco após descolar. Esta mudança súbita da direcção do vento pode ser suficiente para provocar problemas sérios na operação de aeronaves.
A solução é simples. Não dependa única e exclusivamente numa única manga de vento quando estiver a descolar/aterrar. Olhe para todos os lados. Alguns aeródromos possuem várias mangas de vento. Se não tiverem, observe bem a configuração do mesmo e "sinta" o avião, Prepare-se para o pior, e tudo correrá de feição. No caso do Aeródromo de Espinho, este problema normalmente não existe, devido aos ventos predominantes ( NW e SW ) estarem livres de obstáculos, não havendo assim torbulência mecânica. Os únicos dias mais complicados ( e, por ventura, traiçoeiros ) são os dias em que vento predominante é do quadrante leste. Nestes dias, sente-se torbulência mecânica na zona assinalada, devido ao arvoredo nos lados da pista. Estas alturas não se deve acreditar piamente nas mangas de vento. Das duas mangas existentes no aeródromo ( assinaladas com um "x" vermelho ), a manga situada imediatamente a este da pista 35 é a mais fiável, por sofrer menos influência dos edifícios. A manga de vento colocada perto do Hangar Sul deverá apenas ser utilizada por helicópteros. Como nota final, o piloto deverá ter cuidado em dias de nortada muito forte. Nesses dias há grandes possibilidades de cizalhamento do vento a baixa altitude, na final curta da pista 35. Miguel Pinto da Costa baseado no artígo do jornal de aviação "Over the Airwaves", adaptado à nossa realidade. |