|
Desde sempre que voar foi um anseio do Homem. Por força desse anseio surge o meio de transporte que é, sem dúvida, o mais rápido e seguro – o avião. Ainda antes do que é considerado o primeiro voo realizado pelos irmãos Wright (1903) já se discutia a regulamentação do emprego de aeronaves, bem assim como o meio em que estas evoluem – o meio aéreo.
Após o voo dos Wright surgiu uma preocupação – regulamentar um novo transporte que não se confinava às fronteiras de cada país. Avião usado pelos irmãos Wright no seu primeiro voo
Decorrente desta preocupação, realizou-se em Paris (1910) a primeira conferência de direito aéreo internacional. As novas tecnologias surgiam à medida que as necessidades de guerra as reclamavam. Decorria então a primeira guerra mundial. Algumas destas novas tecnologias reflectiram-se directamente na sociedade incluindo a indústria aeronáutica. É por esta altura que a aeronave como meio de privilegiado transporte, seja em tempo de guerra, seja em tempo de paz ganha grande importância. Porque, entretanto, o número de aeronaves existentes na Europa foi crescendo e implicitamente as facilidades, incluindo infra-estruturas aeronáuticas – aeródromos, a ideia de rentabilizar estes meios concretizou-se com a criação de transportes aéreos civis. Transporte aéreo – 1921
A utilização do espaço aéreo impunha regras e para tal, realizaram-se algumas Convenções, merecendo realce, a de Paris (1919) e a de Havana (1928) que pretendiam regular os espaços aéreos da Europa e dos Estado Unidos da América, respectivamente. Destacam-se alguns aspectos que mereceram a consideração destas duas Convenções e que levaram à sua regulamentação:
- Princípios gerais; - Nacionalidade de aeronaves; - Certificados de navegabilidade; - Admissão e navegação sobre território estrangeiro; - Regras a observar à partida, trânsito e à chegada; - Transportes permitidos; - Aeronaves de Estado; - Comissão Internacional de navegação aérea; - Disposições finais.
A convite dos Estados Unidos da América realizou-se um meeting em Chicago em 1944 que reuniu 55 países com vista a uniformizar procedimentos e que esteve na origem da ICAO – International Civil Aviation Organization, organização que, ainda hoje, superintende em todos os aspectos da aviação civil internacional. 
Conferência de Chicago – 1944
Esta conferência substituiu as anteriores, Paris e Havana, sendo que a sua actividade se desenvolve a nível mundial. Para melhor responder às necessidades, o globo foi dividido em nove regiões de navegação aérea:
AFI – África e Oceano Indico CAR – Caraíbas EUR – Europa MID – Médio Oriente NAM – América do Norte NAT – Atlântico Norte PAC – Pacífico SAM – América do Sul SEA – Sudoeste Asiático
Para aplicação das regras da ICAO numa base mundial, criaram-se seis repartições regionais. A título de exemplo refere-se Paris como sendo a sede da região de navegação da Europa – EUR. Nesta Convenção de Chicago criaram-se dezoito anexos técnicos que estabelecem padrões aeronáuticos em vários domínios:
Anexos técnicos:
Anexo 1 – Licenças de Pessoal Anexo 2 – Regras do Ar Anexo 3 – Meteorologia Anexo 4 – Cartas Aeronáuticas Anexo 5 - Unidades Padrão de Medida Anexo 6 - Operações de Aeronaves Anexo 7 - Marcas de Registo e Nacionalidade de Aeronaves Anexo 8 - Certificados de Aeronavegabilidade Anexo 9 – Facilitação Anexo 10 – Telecomunicações Anexo 11 – Serviços de Tráfego Aéreo Anexo 12 – Serviços de Busca e Salvamento Anexo 13 – Investigação de Acidentes e Incidentes com Aeronaves Anexo 14 – Aeródromos Anexo 15 – Informação Aeronáutica Anexo 16 – Protecção Ambiental Anexo 17 – Segurança Anexo 18 - Transporte de Mercadorias Perigosas a bordo de aeronaves
Como se pode observar é necessário que exista uma entidade responsável pelo cumprimento de toda a regulamentação adopta pela ICAO. Essa entidade em Portugal designa-se por Instituto Nacional de Aviação Civil – INAC. Leite de Faria |